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Lia Farrel: conheça a trajetória da atriz

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O artista faz da vida seu palco. Prova disso é a trajetória da atriz e diretora Lia Farrel, que depois de ser chacrete, estrelou em grandes musicais do Teatro Revista Brasileiro e destacou-se em novelas e filmes. Desde as primeiras aparições como garota propaganda no programa da TV TUPI “Encontro com Ary”, de Ary Barroso, passaram-se 55 anos de dedicação ao teatro. Hoje, Lia ensina a arte da interpretação e há 28 anos trabalha na formação de novos atores.

Agora, ela prefere dirigir e estar atrás das cortinas, mas nem sempre foi assim. Há 30 anos o cenário era diferente. Seu lugar era no tablado e diante dos canhões de luz. Lia realizava em média dois trabalhos simultâneos em teatro e TV por ano. Tanto que, aos 73 anos, carrega uma bagagem de mais de trinta participações na TV, entre novelas e especiais, atuou em 15 filmes e mais de 40 peças de teatro. “Eu pulava de um trabalho para outro, pois moça de família não fazia teatro”, lembra a mãe de três filhos, que não se importava com o preconceito da época.

Ela explica que a formação no teatro foi fundamental para se sair bem no cinema e na telinha. “Quem faz teatro faz de tudo, já quem começou na TV, não”. Os primeiros passos no palco, porém, começaram com dança. Aos 4 anos iniciou balé e, ainda criança, aprendeu danças folclóricas. Ela não pensava em ser atriz, mas a estréia na TV, aos 16 anos, depois de ter sido escolhida em um concurso, foi o início. As lembranças de sua primeira participação ainda a fazem rir. “Eu me lembro até do texto: Nossa! Que lindos cabelos que ela tem”, conta a atriz, que era garota propaganda de Shampoo e foi convidada a apresentar o programa de TV ao lado de Ary Barroso.

Com isso, o ingresso no teatro não demorou e logo veio os primeiros trabalhos como atriz. Primeiro na TV Rio, onde trabalhou como bailarina e depois na TV Globo, em que foi uma das primeiras chacrete. “Nós usávamos um maiô e uma bota de plástico branca até aqui (aponta para o alto da coxa)”, mostra a atriz que foi uma das primeiras assistentes do programa “Buzina do Chacrinha”. Ela aceitou a vaga de chacrete depois de afastar-se da TV por 10 anos, período em que se casou e cuidava de seus três filhos, Suzane, Simone e Erick, que seguiram os passos da mãe e mais tarde formaram-se atores.

A opção pela família, porém, não a impediu de voltar a trabalhar. “Eu procurei amigos na TV Globo e a única coisa que tinha para fazer era ser chacrete. E eu disse: “Eu quero” Logo, conseguiu uma “ponta” (participação, no jargão de teatro) como odalisca na novela o “Sheik de Agadir”. De lá para cá, a carreira deslanchou. Foram 18 anos de trabalho em novelas e especiais na TV Globo, estando 11 em evidência na mídia. Ela atuou em novelas como “O Salvador da Pátria” e “Que Rei Sou Eu?”, fez filmes como “Mulheres… Mulheres” e “Rapazes da Calçada”, além de ter trabalhado com dublagem por 15 anos no Estúdios Herbert Richard.

Mas, o que gostava mesmo era de fazer teatro. No palco, ela interpretou chanchadas, teatro revista, comédias e dramas. “Os musicais eram meus preferidos” assinala a atriz. Em várias peças, ela cantou e dançou músicas folclóricas sobre a cultura do Rio e do país, além de ter sido Carmem Miranda, em um cruzeiro internacional. Divulgar os marcos da cidade maravilhosa e a brasilidade marcou suas produções, como professora e diretora. Tanto que, em 1996, dirigiu e coreografou o espetáculo “Rio Samba Show”, que rodou a Flórida (USA), por oito meses, contando as belezas do Rio e a cultura da cidade e do carnaval, de forma didática.

Ela optou pela direção, quando dividir-se entre a família e o trabalho não era mais tão agradável. “Acho que quando o trabalho passa a ser chato, então está na hora de parar”, a diretora conta que decidiu se dedicar integralmente às aulas de preparação de novos atores e a direção em um aniversário de uma de suas netas, em que teve de sair no meio da festa para ir ao teatro, enquanto realizava temporada. Hoje, ela passa mais tempo com a família, mas se mantém sempre no tablado.

Lia Farrel esclarece que a diferença entre atuar e dirigir está no senso crítico. “O diretor é muito mais crítico”. Por isso, indica àqueles que desejam ingressar na carreira de ator que devem investir em si mesmos, aprendendo a dançar, cantar e interpretar. “Sua ferramenta de trabalho é você mesmo”, aconselha a professora que aponta um despreparo generalizado dos atores, em decorrência da multiplicação dos “cursinhos” de teatro que deixam a desejar na preparação.

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Written by carladelecrode

julho 21, 2011 at 2:19 am

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